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O Hospital, nossa Páscoa | Mensagem à Comunidade Hospitalar

02 de Abril de 2015
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A nossa Casa, o Hospital, é alta. Olhá-la rapidamente pode não nos deixar ver mais do que uma parede, e uma parede até da cor das nuvens nos dias cinzentos. Se pararmos um pouco a olhar e a ouvir o que os olhos nos dizem algo novo acontece. Mas as nossas pressas, que só nos consentem olhares rápidos, relances superficiais, são tantas que já quase não sabemos ouvir o que vemos… sim!, que o que vemos também é de ouvir, de escutar, à procura de captar o mistério íntimo das realidades olhadas.

Só esta atitude – deixai dizer, reverente, ou, até, contemplativa, não necessariamente religiosa – diante do que vemos nos permite atravessar os contornos e as cores e os volumes e as sombras e chegarmos ao silêncio interior, nosso e das coisas, em que habita o sentido da vida. E só assim o poderemos beber, porque só assim ele se nos dá a beber. E aí, então, ver já não é só escutar também, torna-se também beber, também inspirar ar limpo, torna-se abraçar… é o sentido da vida, que não é diferente de sentir a vida na sua transparente profundidade.

Percebemos, assim, na altura, a verticalidade que nos convoca, a cada um e a todos, a não rastejarmos a quotidiana mediocridade para que, em tantas circunstâncias e tantas vezes tão justificadamente, nos vemos tentados.

E na parede, reparamos, assim, nas janelas, tantas e tantas, por onde de dia entra a luz e de noite a luz sai e neste trânsito contínuo da luz entre a noite e o dia descobrimos o apelo dirigido a cada um e a todos, a viver no percurso da luz, sem ceder à escuridão que pende acabrunhante sobre as nossas cabeças.

E o Hospital, reconhecemo-lo como nossa Casa comum, mais, a Casa que nós, cada um e todos, somos para aqueles que atravessam estas paredes altas que guardam as suas esperanças, à procura de encontrar olhares em que morem e neles se demorem a escutá-los, a beber as suas histórias, a respirar as suas aspirações, a abraçar o seu medo e a sua confiança.

Esta é a Páscoa que nos é dada, cada dia. Esta é a Páscoa que, cada dia, nos é pedida. E se, para os cristãos, dizer Páscoa é dizer Jesus Cristo morto e ressuscitado, cada um e todos, qualquer que seja a fé professada ou não professando alguma, podemos encontrar-nos no significado original da palavra: passagem. Quanto nos chama o tempo a esta passagem que o liberte do imediato incerto e precário e nos conduza ao conhecimento do seu mistério íntimo, a eternidade que nele germina e o abre além de si.

A verticalidade da Cruz ao sol da hora noa cravada no chão do meio do tempo é isto que dá, é isto que pede. E garante que não há noite de morte que não engendre no seu segredo um amanhecer de ressurreição.

Santa Páscoa!

Serviço de Assistência Espiritual e Religiosa