Serviço Nacional de Saúde
Baixa taxa de mortalidade e resultados positivos refletem meio século de experiência do Centro de Referência de Cancro do testículo
10 de Fevereiro de 2017
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Tendo bebido a experiência de mais de meio século do Serviço de Urologia do Centro Hospitalar São João (CHSJ), o Centro de Referência (CR) de Cancro do Testículo, sito no maior hospital da região Norte, soube adaptar-se à evolução dos tempos, acompanhando a evolução da patologia e registando elevados níveis de sucesso no combate à mesma. Rapidez de ação desde o diagnóstico até ao início do tratamento, a estrutura do CHSJ que permite os tratamentos mais inovadores e formação ultra especializada são os trunfos deste CR e a chave para o êxito dos seus resultados.

Desde a abertura do Serviço de Urologia no Centro Hospitalar de São João (CHSJ), em 1959 que a sua equipa médica é responsável pelo tratamento do carcinoma do testículo nesta unidade, “tendo sido nos primeiros tempos restrita à remoção total do órgão e posteriormente, passando a incluir a quimioterapia sistémica, a Radioterapia, bem como uma cirurgia major que requer muita experiência, tal como a linfedemectomia retroperitoneal. O aparecimento do Serviço de Oncologia Médica trouxe a implementação de tratamentos mais adequados para cada utente”, explica Francisco Cruz, diretor do Serviço de Urologia e coordenador do CR.

“Com o surgimento dos grupos oncológicos no CHSJ, há cerca de 20 anos, a coordenação das terapêuticas cirúrgica, quimioterápica e radioterápica, bem como todas intervenções médicas associadas passaram a ser decididas em contexto de uma equipa multidisciplinar, o que representou uma mudança de paradigma e uma significativa evolução em termos da oferta terapêutica mais adequada para cada caso”, acrescenta o médico.

Segundo a GLOBOCAN 2008, Portugal apresenta uma taxa de mortalidade específica por cancro do testículo ajustada para idade de 0,3 casos por 100 000 indivíduos, que se encontra próxima da observada nos países mais desenvolvidos.

Quanto a esta questão registam-se as assimetrias regionais que nos remetem para diferentes modelos organizativos na presta¬ção de cuidados relativamente a esta patologia, com potencial impacto na sobrevivência dos doentes.

A experiência clínica expressa nos resultados obtidos ao longo dos tempos “garante que os serviços e cuidados são prestados de acordo com os mais elevados padrões da qualidade, em conformidade com a evidência clínica disponível e com as normas clínicas nacionais em vigor”.

“Para este nível de qualidade contribui a reconhecida competência profissional dos elementos que constituem a equipa multidis¬ciplinar responsável, bem como a excelência científica dos membros da equipa multidisciplinar responsável (designa¬damente urologistas, oncologistas, anatomopatologista, radiologista e radioncologista), os quais integram, na sua maioria, grupos de investigação do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3s-UP) classificado como “outstanding” pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, tendo por referência padrões internacionais. A capacidade instalada de recursos humanos e infra-estruturas altamente especializados de que dispõe o CHSJ influência em grande escala a qualidade do serviço prestado por este CR”, afirma o coordenador do CR.

Embora sendo relativamente raro, o cancro do testículo constitui a neoplasia mais frequente no adulto jovem (entre os 15 e os 44 anos de idade). A sua incidência tem vindo a aumentar nas últimas décadas nos países com maior índice de desenvolvimento, não sendo ainda conhecidos os reais determinantes deste crescimento. Segundo dados do Registo Oncológico Nacional (RON), Portugal tem acompanhado a tendência internacional, tendo-se verificado um aumento desde 2001 até 2008 do número total de novos casos. “Para os utentes mais jovens, condenados à infertilidade, este CR oferece a possibilidade de ser realizada a recolha e preservação do esperma do utente, tornando possível a reprodução medicamente assistida, diretamente, na mesma instituição sem recorrer a outras unidades”, explica Francisco Cruz.