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CHSJ apresenta resultados de projeto pioneiro de rastreio da desnutrição em idosos

20 de Abril de 2017
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De acordo com a Resolução do Conselho Europeu Resolution ResAp (2003), deve ser realizada a avaliação do risco nutricional a todos os utentes, desde à admissão hospitalar até ao final do seu internamento.

Passados mais de 10 anos, a desnutrição permanece sub-detetada, sub-reconhecida e sub-controlada, sendo o Centro Hospitalar São João (CHSJ), o hospital português pioneiro na prática do rastreio da desnutrição.

Em parceria com os ACES Porto Oriental e Santo Tirso/Trofa, o CHSJ criou o projeto Qualife+, dinamizado pela Unidade de Nutrição e Dietética e com financiamento do Mecanismo Financeiro EEA Grants 2009-2014. A Aula Magna da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto acolheu, esta manhã, a cerimónia de apresentação dos resultados do projeto.

Com o principal objetivo de monitorizar o estado nutricional da população com mais de 65 anos, quer do internamento, quer da comunidade, o Qualife+ demonstrou que “55,2% dos utentes apresentava, no momento da admissão hospitalar,  risco de desnutrição associada à doença e que 47,1% destes estavam efetivamente desnutridos". O trabalho revelou também que 14,2% dos 2324 idosos rastreados nos ACeS parceiros apresentavam risco de desnutrição e, destes, 23,6% encontravam-se efetivamente desnutridos”.

“Desde o início da recolha de dados, em novembro de 2015, até 31 de março do presente ano, foram admitidos 22 916 utentes com idade igual ou superior a 65 anos, dos quais foram rastreados 13 637. Entre os rastreados, 6 706 encontravam-se em risco de desnutrição ou desnutridos, merecendo avaliação do estado nutricional e posterior acompanhamento por parte da equipa de Nutrição”, afirmou Sandra Silva,responsável pela Unidade de Nutrição e Dietética do CHSJ e coordenadora do projeto Qualife+.

No período de implementação do projeto, o rastreio de risco nutricional era realizado no momento da admissão do utente, pela equipa de enfermagem de cada serviço e, no caso da pessoa se encontrar em risco de desnutrição ou desnutrido, a equipa de Nutrição realizava avaliação nutricional e, posteriormente, uma intervenção nas primeiras horas de admissão hospitalar. Os utentes nutridos à admissão, foram, posteriormente, rastreados semanalmente pela equipa de enfermagem.

Nesta fase do projeto, apenas foram rastreados utentes com idade superior a 65 anos, sendo objetivo do CHSJ alargar o rastreio da desnutrição a todos os doentes internados, processo que, em alguns países, é procedimento padrão, necessário para acreditação e considerado critério de avaliação da qualidade do serviço hospitalar.

O rastreio da desnutrição na admissão hospitalar permite reduzir o tempo de internamento, o risco de complicações e as readmissões, melhorando os indicadores clínicos e consequentemente os custos associados aos cuidados de saúde. Já foi demonstrado, em vários hospitais portugueses, que o custo médio de um doente em risco de desnutrição é mais do dobro dos doentes sem este risco.

Nas palavras de Sandra Silva, “O financiamento recebido pelo Mecanismo Financeiro EEA Grants 2009-2014, permitiu incluir, durante este período, mais elementos na equipa da Unidade de Nutrição e Dietética, que possibilitaram a concretização do projeto e que todo o material (balanças, aparelhos de avaliação da composição corporal, computadores, entre outros) necessário para a continuação e alargamento do projeto se encontra disponível, bem como a engrenagem de trabalho multidisciplinar.”

O impacto e sucesso deste projeto motivou a deslocação de uma comitiva do Hospital Universitário de Oslo para análise do projeto e troca de experiências.