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Doenças neurovasculares discutidas em curso de atualização

22 de Junho de 2017
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Realizado no Centro Hospitalar São João (CHSJ) há mais de duas décadas, decorreu, recentemente, mais uma edição do Curso de Atualização em Doença Vascular Cerebral (DVC), encontro anual de formação de índole prática organizado pela Associação para o Estudo das Doenças Neurovasculares e pelo Grupo de Doença Vascular Cerebral do CHSJ.

Na Ordem dos trabalhos que tiveram lugar no Centro de Investigação Médica (CIM) da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) estiveram assuntos de relevo no que diz respeito ao estado da arte da Doença Vascular Cerebral em Portugal e às novas tendências para a melhoria da prática clínica nesta área.

De acordo com Elsa Azevedo, neurologista no CHSJ e Docente de Neurologia na FMUP, e assessora da ARS norte para a via verde do AVC, “esta patologia continua a ser a primeira causa de morte em Portugal, porém, o trabalho das equipas dedicadas ao tratamento da patologia vascular cerebral tem registado uma evolução significativa. A diminuição da incidência do AVC nas mulheres e nas pessoas menos idosas, é exemplo dessa melhoria em termos da assistência/prevenção a estes utentes dos hospitais do norte de Portugal.”

“A área do AVC agudo tem tido um desenvolvimento exponencial e todos os dias tem saído informação resultante de investigações sobre o assunto. De facto, estamos a viver uma época de evolução constante em termos da busca de estratégias para uma nova dinâmica na abordagem do Acidente Vascular Cerebral”, refere Elsa Azevedo.

A igualdade de critérios de atuação no tratamento do AVC tem de ser, na opinião de Elsa Azevedo, “uma realidade nos hospitais sob alçada da ARS-Norte. A Telemedicina tem que ser desenvolvida, e neste aspeto, a região centro tem sido um exemplo a nível nacional. A Referenciação e articulação inter-redes de cuidados, a aposta na prevenção em relação a esta patologia, a tríplice aliança dos conceitos de valorização de pessoas, comunicação entre os membros das equipas e união das mesmas para maior efetividade no cumprimento de objetivos comuns, foram outros dos focos da intervenção da neurologista do São João.”

A Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-Norte), representada por Ponciano Oliveira, congratulou a organização pelo trabalho na promoção do debate e atualização científica dos profissionais de saúde, através da partilha de experiências e conhecimentos. Ainda mais tratando-se de uma patologia com elevado nível de mortalidade e morbilidade em todo o país e no mundo. “É por isso, determinante trabalhar na prevenção desta doença, bem como serem promovidos hábitos de vida saudáveis e difundida a educação para a saúde. Tudo isto deve ser complementado com acompanhamento médico regular e contínuo, através da rede de cuidados de proximidade que está bem desenvolvida.”

“A ARS atua na comunidade com políticas de intervenção, definindo prioridades locais de saúde. Generalizar os conhecimentos sobre os cuidados, como, por exemplo, a formação em suporte básico de vida aos profissionais de saúde e mais tarde à comunidade em geral. A individualização dos cuidados de saúde, de acordo com o percurso de cada pessoa será o futuro”, concluiu Ponciano Oliveira.

“O doente deve estar no centro das nossas preocupações. Podemos ter novos métodos, novas terapêuticas, etc. mas os hospitais continuam organizados de forma convencional, isto é por especialidades médicas. Acredito que as necessidades atuais justifiquem que os hospitais sejam organizados por unidades dedicadas aos problemas dos utentes. Isto porque a abordagem atual das patologias é interdisciplinar e faz com que os utentes se desloquem a várias consultas em vez de estarem os técnicos todos na mesma unidade e verem e estudarem os casos em conjunto. Isto seria a medicina moderna que gostaríamos de praticar e para a qual iremos trabalhar”, explicou António Oliveira e Silva, Presidente do Conselho de Administração do CHSJ, no seu discurso de abertura do curso, referindo-se à criação pioneira da consulta de Doença Vascular Cerebral no CHSJ há alguns anos, por parte de Elsa Azevedo.

Em representação da Diretora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Carolina Garrett salientou a simbiose positiva que existe entre o CHSJ e a FMUP que permite realizar um trabalho de excelência no terreno. Congratulou ainda a organização pela utilidade e pertinência do curso para quem trabalha nesta área.

José Castro Lopes, Presidente da Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral, recordou o tempo em que foi para Paris estudar este fenómeno dos AVC, “porque há algumas décadas, víamos as pessoas atingidas por AVC, falecer sistematicamente. A partir daí, o AVC tornou-se mais comuns e começou a ser tratados. Irá, em breve, segundo o clínico, ser “oficialmente considerado uma doença do sistema nervoso, passando a ser designado por Acidente Vascular Encefálico (AVE), como se pode já ler na literatura internacional. Acredito que teremos muitos AVC’s sem sequelas no futuro, fruto também da boa interação com a área da Reabilitação”, referiu José Castro Lopes.

As exigências da melhoria na prevenção primária e secundária da DVC, o AVC agudo e a anticoagulação após o mesmo, novidades no tratamento endovascular na DVC, bem como o papel dos grupos de ajuda mútua após o AVC foram os temas que marcaram o primeiro dia do curso.

A segunda jornada foi dedicada a questões, tais como as especificidades do AVC na criança e na mulher, os desafios do AVC hemorrágico, a atualização das recomendações no que diz respeito ao risco de trombose venosa profunda no AVC e a recuperação após o mesmo, através da intervenção precoce da Medicina Física e Reabilitação. Os participantes no curso ainda puderam assistir a três workshops sobre urgências neurológicas, trombectomia mecânica e reabilitação da disfagia.