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São João assinala 30º aniversário de Comissão de Ética do CHSJ/FMUP

04 de Julho de 2017
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A VIIIª edição das Jornadas de Humanização teve como principal foco a comemoração dos 30 anos da existência da Comissão de Ética (CE) do Centro Hospitalar São João (CHSJ) e da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP). Como já se tornou habitual, este encontro também tinha como objetivo ser um espaço de reflexão em torno da Ética, da Cultura e da Humanização.

Pimenta Marinho, Presidente da Administração Regional do Norte (ARSNorte), em representação do Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, presidiu à sessão, partilhando a mesa com o Presidente do Conselho de Administração do CHSJ, António Oliveira e Silva, com a Diretora da FMUP, Maria Amélia Ferreira, com Maria do Céu Patrão Neves, Professora Catedrática em Bioética e com Filipe Almeida, Diretor do Serviço de Humanização e Presidente da CE. Nesta sessão, vários colaboradores da Comissão de Ética, ao longo das suas três décadas de existência, foram homenageados com a oferta de medalhas comemorativas.

Na sua intervenção, Pimenta Marinho recordou a criação da Comissão Nacional para a Humanização e Qualidade dos serviços de saúde, presidida por Walter Osswald, na década de 90, que constituiu “uma mudança de paradigma”. “Os utentes passaram a ter noção dos seus direitos e deveres e adotaram um papel mais ativo na tomada de decisões, para além de muitas outras vantagens. Desde aí, assistiu-se a um enorme desenvolvimento nestas áreas e aproveito para agradecer o trabalho de todos os profissionais que concretizaram esta realidade”. O Presidente do Conselho de Administração do CHSJ e a Diretora da FMUP congratularam-se pelo facto da CE das duas instituições ser um sucesso e refletir o poder do Centro Universitário de Medicina (CUME) que consiste na criação de sinergias entre CHSJ e FMUP nos mais diversos planos.

Filipe Almeida, Presidente da CE do CHSJ e FMUP, fez um balanço das três décadas de existência, recordando que Daniel Serrão foi o primeiro diretor da CE e que este organismo hospitalar foi um dos primeiros do país a ser criado. Segundo o clínico, “em 2016, a CE emitiu 732 pareceres, o que reflete o dinamismo da mesma. A maioria dos pedidos de parecer partiu de médicos e de estudantes de medicina. Há 20 anos, 90% dos pareceres emitidos estavam relacionados com trabalhos de investigação, no entanto, hoje a CE é chamada a dar a sua opinião sobre inúmeros assuntos do quotidiano hospitalar e académico”.

Nas palavras de Filipe Almeida, as CE nasceram para resolver problemas assistenciais e que envolviam decisões, muitas vezes, de vida ou de morte. A CE tem de constituir uma inspiração para adequados comportamentos e, acima de tudo, assegurar o respeito pela dignidade humana nas instituições. O desafio atual desta entidade é garantir o desenvolvimento da ciência, protegendo os vulneráveis, preocupando-se com questões tais como a confidencialidade, a resposta em tempo útil, a disponibilidade para refletir e dialogar, perceber a realidade dos serviços, entre outros. Para além disto, terá de garantir a multidisciplinaridade de saberes, de maneira a poder responder de forma abrangente e completa às solicitações.

Maria do Céu Patrão Neves, doutorada na área da Bioética e autora de obras de relevo nesta área, apresentou à plateia a sua visão acerca de uma assistência hospitalar humanizada e os desafios que se lhe colocam atualmente. A investigadora procurou dissecar quais os principais fatores que comprometem a humanização, quais as estratégias de implementação da humanização e ainda procurou analisar o desempenho das Comissões de Ética, sublinhando o seu papel passado, presente e futuro

De acordo com Maria do Céu Patrão Neves, “A cientificização dos cuidados de saúde implicou um défice da humanização dos cuidados e o afastamento entre o profissional de saúde e a pessoa doente (a relação técnica substituiu a relação humana). A bioética surgiu como resposta a esta desumanização dos cuidados e bateu-se para garantir o respeito pela dignidade da pessoa, empenho no restabelecimento da assimetria (respeito pelo estado fragilizado do Utente), investimento na comunicação entre profissional do Utente (o poder e a esperança). Esta ciência propôs-se a refletir sobre o impacto da ação clínica nas várias dimensões do ser humano. As instituições criaram dois tipos de Comissões de Ética hospitalares, umas dedicadas à investigação clínica (respeito pela dignidade das pessoas envolvidas nos estudos) e outras focadas na atividade assistencial (respeito pela dignidade humana nos cuidados de saúde prestados à população)

Antes da realização da sessão de comemoração do 30º aniversário da Comissão de Ética do CHSJ/FMUP, decorreu um primeiro painel, moderado por Walter Osswald, em que foram apresentadas diferentes perceções acerca da humanização dos cuidados de saúde, sob a ótica de diversas áreas de intervenção na saúde, tais como o voluntariado (como poderá o voluntariado ser também mais humanizado ou adequado ás diversas situações), a gestão (o amor enquanto instrumento de gestão, cuidar melhor de quem nos inspira, com uma alusão ao movimento “cuidar mais”,), a enfermagem (maior preocupação com o respeito pelas fragilidades do utente aquando da realização de cuidados de enfermagem) e a medicina (trans-humanismo/medicina pós-humana como impulsionadora da humanização da medicina).

No período da tarde, e sob a moderação de Maria Amélia Ferreira, teve lugar um painel acerca das diferentes linguagens de Humanização e Cultura. Figuras de relevo de várias artes (Fotografia, Música, Teatro e Cinema) deram a sua opinião acerca desta problemática sob a sua ótica profissional, cimentando o aspeto de universalidade da humanização.

Mesa aberta- Humanização a 4 mãos  Sessão Comemorativa do 30ªaniversário da Comissão de Ética do CHSJ e FMUP VII Jornadas de Humanização decorreram na Aula Magna Mesa aberta- linguagens de humanização e cultura