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Bolsa de investigação em Mieloma Múltiplo atribuída a médico do CHSJ

11 de Julho de 2017
Investigador do i3s e da fmup site 1 1024 550

Rui Bergantim, Hematologista Clínico do Centro Hospitalar São João, investigador do i3S e estudante de doutoramento da Faculdade de Medicina da U.Porto (FMUP), arrecadou a bolsa de Investigação em Mieloma Múltiplo.

O Mieloma Múltiplo é uma doença rara, sem cura que atinge órgãos como os rins, ossos e medula óssea, surge normalmente entre os 60-65 anos e tem sintomas genéricos e inespecíficos, como a dor óssea, o cansaço/perda de forças e edemas periféricos, o que leva, muitas vezes, a um diagnóstico tardio. 

O projeto distinguido, denominado: Identifying microRNAs as biomarkers of drug resistance in multiple myeloma patients: a pilot project to contribute to guiding personalized therapeutic decisions, tem como objetivo “identificar biomarcadores de resistência e sensibilidade dos doentes antes que estes iniciem o tratamento, através de uma análise sanguínea, de forma a proporcionar uma terapêutica personalizada e eficaz, evitando a toma de medicação desnecessária”, afirma Rui Bergantim.

Esta bolsa, no valor de 15 mil euros, é uma iniciativa da Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL), Sociedade Portuguesa de Hematologia (SPH) , bem como de uma empresa do ramo farmacêutico e vai permitir ao investigador estudar biomarcadores que indiquem a resistência a determinados fármacos por parte de doentes com mieloma múltiplo, um tipo raro de cancro hematológico que tem origem nas células plasmáticas.

Com duração de um ano, o projeto em causa pretende estabelecer padrões de associação entre os biomarcadores identificados, as características clínicas e analíticas clássicas (como por exemplo a citogenética) e os critérios de resposta às terapêuticas efectuadas. Esperam ainda explorar novas metodologias, como as biópsias líquidas, de modo a evitar a realização de biópsias ósseas, consideradas invasivas e dolorosas.

Segundo Rui Bergantim, com os avanços da medicina foi possível aumentar a sobrevida [tempo de vida após o diagnóstico] dos doentes portadores de mieloma múltiplo, transformando esta patologia que era fatal, em crónica. «Há dez anos, os doentes diagnosticados com esta doença tinham uma sobrevida inferior a dois anos, no entanto, hoje em dia, conseguem ter entre cinco a dez anos», período que o especialista acredita vir a aumentar no futuro. 

Com o auxílio desta bolsa, os investigadores vão dar início aos testes das cerca de 140 amostras (70 de sangue e 70 de medula óssea) recolhidas até ao momento, contando ter resultados preliminares no próximo ano.

O projeto vai ser desenvolvido no grupo «Cancer Drug Resistance» do i3S/Ipatimup e no Centro Hospitalar São João (CHSJ). Do projeto fazem ainda parte Fernanda Trigo Miranda, médica – Hematologista Clínica no CHSJ e a líder do grupo de investigação e Professora Auxiliar na Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, Helena Vasconcelos.

Em Portugal, estima-se que a cada ano surjam 513 novos casos de mieloma múltiplo, segundo os dados publicados pelo Globocan (plataforma que fornece estimativas sobre a incidência, a mortalidade e a prevalência dos principais tipos de cancro em 184 países), relativos ao ano de 2012.

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