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Projeto STOP Infeção Hospitalar reduz incidência de infeção nosocomial no CHSJ

08 de Setembro de 2017
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O Centro Hospitalar São João (CHSJ) cumpriu a meta de redução das infeções hospitalares em algumas áreas específicas, fixada em 50% pela Fundação Calouste Gulbenkian no desafio “STOP Infeção Hospitalar” que esta instituição colocou a 12 hospitais portugueses.

Sob a orientação técnico-científica do Institute for Healthcare Improvement (IHI), os doze hospitais envolvidos neste projeto comprometeram-se a focar as suas atenções sobre 4 grandes áreas de intervenção: U.C. Intensivos (redução das infeções relacionadas com Cateter Venoso Central, e Pneumonia associada à Intubação); Ortopedia (redução das Infeções Local Cirúrgico em PTA e PTJ); Cirurgia Geral (redução de Infeções Local Cirúrgico em cirurgia colo-retal) e Medicina Interna (redução das Infeções associadas a Cateter Vesical).

“Os resultados já atingidos são muito positivos e revelam o sucesso da introdução das medidas de melhoria de qualidade que, nomeadamente no âmbito da prevenção de infeção hospitalar, permitem a redução franca destes eventos adversos, frequentemente evitáveis. Neste momento, nos 13 fluxos de trabalho ativos no CHSJ foram já alcançadas as metas propostas em 11. Em 8 foram atingidos mais de 300 oportunidades (dias de internamento com uso de dispositivo) sem se registar qualquer episódio de infeção e em 3 foi reduzida a taxa de infeção em mais de 50%, explica Carlos Alves, responsável da Unidade de Prevenção e Controlo de Infeção e Resistência aos Antimicrobianos (UPCIRA) do CHSJ.

Medicina Interna - redução das infeções associadas a presença de Cateter Vesical - CAUTI

A consecução dos objetivos, de acordo com Marlene Teixeira, enfermeira-chefe do serviço de Medicina Interna e membro do grupo de trabalho do projeto STOP Infeção CHSJ, “só foi conseguida, com o envolvimento de todos os profissionais do serviço. Nesse sentido foram implementadas algumas medidas: a divulgação/afixação dos objetivos do projeto, feixes de intervenção definidos pela DGS, definição/implementação da Bundle de inserção e manutenção do cateter vesical, definição interna de critérios para os utentes permanecerem algaliados apenas quando estritamente necessário, diminuindo a exposição ao risco de infeção; divulgação de informação (panfleto) aos utentes/familiares/cuidadores com cuidados básicos a ter quando existe necessidade de permanecer algaliado.

É imprescindível, quando falamos em infeções, reforçar a necessidade de melhorar a prática de higiene das mãos e o cumprimento dos 5 momentos divulgados pela OMS.”

Reconhecida a necessidade de melhorar a taxa de adesão à higiene das mãos, disponibilizou-se informação (cartazes) com os 5 momentos de higienização das mãos à entrada de todas as enfermarias, da técnica correta de higienização das mãos, disponibilização de solução de base alcoólica  em cada da unidade do(a) utente, à saída/entrada de todas as enfermarias, e são efetuadas auditorias internas semanalmente.

A sensibilização e envolvimento dos profissionais/utentes/familiares é determinante para a mudança de comportamentos e consecução dos objetivos a atingir. Nesse sentido, são divulgados/afixados periodicamente à equipe os resultados obtidos com as práticas em vigor.

O maior desafio para chegar a este resultado foi sobretudo “conseguir incutir a necessidade de tornar os procedimentos inerentes às boas práticas, uma constante, sendo objeto de reflexão diária, no nosso caso, em particular no âmbito da redução das CAUTI. Sendo necessário monitorizar a eficácia das medidas adotadas, através do registo de todos os procedimentos efetuados (para o efeito foram criados um conjunto de documentos de monitorização) Nesta fase do projeto exigem um acréscimo de trabalho, que é seguramente recompensado quando percebemos que produzem resultados positivos e ganhos em saúde”.

“A curto prazo queremos que o projeto se dissemine para as restantes unidades de Medicina Interna, e futuramente a todo o Hospital.

Para garantir uma cultura de segurança, independentemente do percurso de cada utente no CHSJ, é importante a divulgação transversal das medidas implementadas no âmbito da redução de infeções a todos os serviços desta unidade de saúde”, acrescenta Marlene Teixeira.

Este é um trabalho contínuo que exige motivação, persistência e sobretudo capacidade para envolver e motivar, para isso, é necessário demonstrar os resultados que conseguimos alcançar com o cumprimento das boas práticas, e que conseguimos atingir os objetivos propostos. Se queremos construir processos de melhoria duradoiros e sustentáveis é importante que todos os profissionais /utentes/familiares assumam um compromisso e envolvimento, que será determinante para a consecução deste objetivo major. A redução das Infeções Hospitalares é possível, mas para que ocorra e traduza ganhos em saúde e determine uma cultura de segurança, é necessário que médicos, enfermeiros, assistentes operacionais, técnicos, outros profissionais que desempenham funções em instituições de saúde, utentes e famílias façam parte de um compromisso e que todos colaborem com a sua “cota parte”, no cumprimento de Boas Práticas, sem sombra de dúvidas que conseguiremos reduzir Infeções Hospitalares, garantindo segurança dos utentes e satisfação dos mesmos, diminuindo taxas de morbilidade e mortalidade, dias de internamento, e a sustentabilidade do SNS.

Cirurgia Geral (redução de infeção de ferida em cirurgia cólon-retal)

No Serviço de Cirurgia Geral, no que concerne a cirurgia colo-retal, foco deste projeto, registou-se uma redução de infecção de ferida, no último ano, de 22%. Francisco Monteiro, experiente cirurgião geral do Centro Hospitalar São João, atribui a responsabilidade destes resultados à “mudança de paradigma em termos da abordagem ao Utente em todo o período perioperatório. Estas alterações de comportamento só foram possíveis devido ao empenho, dedicação e envolvimento de todos os intervenientes deste processo (médicos, enfermeiros, técnicos de saúde, assistentes operacionais, membros das empresas de higienização das áreas clínicas, colegas que seguem os utentes nos seus centros de saúde, após alta e cuidadores). O passo mais importante para o surgimento das melhorias prendia-se com a sensibilização destes profissionais e esse desafio foi claramente superado (através formação, informação afixada e reuniões de sensibilização aos membros das equipas), restando agora consolidar estas práticas, tornando-se uma constante em todas as cirurgias e todo o Hospital.”

“Foi notória a forma como todas as pessoas se envolveram neste projeto e a motivação foi crescendo à medida que os resultados se tornavam óbvios, sentindo-se parte integrante deste sucesso”, acrescenta o cirurgião.

Entre outras estas medidas incluíram realizar um banho de clorohexidina cirúrgica a 2% na véspera e no próprio dia da cirurgia, bem como administrar profilaxia antibiótica cirúrgica nos 60 minutos antes da incisão cirúrgica,  descontaminação do intestino com recurso a tipos especificos de antibióticos de acordo com normas da DGS, evitar tricotomia (rapar pelos), manter a normotermia per-operatória de modo a não comprometer a resposta imunitária e ainda manter a glicemia em valores adequados durante a cirurgia e no pré e pós-operatório. Todas estas medidas realizadas são registadas nos documentos criados para o efeito e auditadas e monitorizadas pela UPCIRA.

“A cirurgia colo-retal é uma intervenção em zona contaminada pelo que requer profundos cuidados que sempre foram tidos em conta mas vêem-se agora multiplicados e desempenham um papel determinante na rapidez da alta.

Após a alta, a equipa STOP Infeção_CHSJ mantém um estreito contacto com a equipa dos centros de saúde que acompanham os utentes para garantir a manutenção dos cuidados e evitar reinternamentos”, explica o cirurgião.

Apesar de todas estas conquistas, Francisco Monteiro considera existir ainda “um longo caminho a percorrer e melhorias a empreender. Os principais problemas têm a ver com falta de tempo e recursos humanos para efetuar registos adequados. Deve-se continuar a consolidar a formação de todos os intervenientes neste processo para a realização adequada das práticas clínicas associadas aos cuidados de saúde implementadas neste projeto.

Outros dos problemas apontados pelo clínico situam-se ao nível da necessidade de modernização das infraestruturas do Serviço de Cirurgia Geral, bem como dos blocos operatório do Bloco Central, tornando-os em locais mais herméticos e estéreis.”

“Após a análise dos resultados do STOP Infeção_CHSJ é inegável que este processo funciona, portanto este é o caminho que queremos seguir e implementar em todo o CHSJ, representando uma poupança considerável aumentando a satisfação dos nossos utentes e a realização profissional dos nossos profissionais”, remata o cirurgião.

Serviço de Medicina Intensiva (Pneumonia associada à intubação e infeção relacionada com o Cateter Venoso Central (CVC)

O Serviço de Medicina Intensiva (SMI) recebe nas unidades intensivas doentes em estado crítico, e que na maioria dos casos necessitam de suporte ventilatório, sendo submetidos a intubação endotraqueal. Em alguns casos, por se tratar de um procedimento altamente invasivo, podem ocorrer algumas complicações (desenvolvidas no Hospital e associadas ao tratamento) tais como a pneumonia associada a intubação.

Esta foi uma das áreas trabalhadas no âmbito do projeto STOP Infeção_CHSJ e registou uma taxa de melhoria situada entre os 70% e os 98%, a par de outro dos objetivos fixados pelo projeto, e também cumprido, a redução das infeções relacionadas com o Cateter Venoso Central (CVC).

O projeto STOP Infeção_CHSJ teve início no Serviço de Medicina Intensiva em 2015). As primeiras medidas visaram as Precauções Básicas do Controlo de Infeção, nomeadamente a higienização das mãos dos profissionais de saúde, a utilização do equipamento de proteção individual e ambiente. A primeira campanha “Mãos Limpas“ visou a adesão dos profissionais do SMI à realização da higiene das mãos em todos os momentos indicados e a segunda intervenção o treino de competência técnica de higienização das mãos.

“Num serviço altamente complexo e com momentos de grande pressão inerentes à pratica da medicina intensiva, por vezes torna-se muito difícil cumprir os cinco momentos para a correta higienização das mãos. A perspetiva dos benefícios clínicos alcançáveis com a implementação do projeto, foram o suporte para a  insistência constante  com as equipes, para o cumprimento das normas preconizadas  em qualquer circunstância.

Registou-se uma melhoria significativa relativamente  à higienização das mãos desde que o projeto foi implementado e atualmente estas práticas estão  interiorizadas nas rotinas dos profissionais.

Os feixes de intervenção da redução de Pneumonia associada à intubação e infeção relacionada com o Cateter Venoso Central (CVC) englobam vários procedimentos interligados, pelo que o desafio é garantir que todos são cumpridos, uma vez que a falha de qualquer um dos momentos põe em causa a eficácia de todas as restantes práticas.

Atualmente a garantia da manutenção da prática correta de cada um destes procedimentos por todos os membros das equipas é o maior desafio deste projeto”, explicam os membros do Serviço de Medicina Intensiva responsáveis pelo projeto.

“Todos os cuidados realizados são registados e são efetuadas auditorias aleatoriamente, bem como avaliações semanais das medidas implementadas. Regularmente são afixados os resultados, para divulgação da sua evolução e contribuir para  o envolvimento do  trabalho em equipe.

A divulgação das normas da DGS nas diferentes unidades do SMI, a formação das equipas , a discussão e a elaboração de metodologias de implementação, bem como o posterior registo e monitorização de resultados e  a realização de de briefings de segurança, foram parte integrante do percurso, com o intuito de atingir o total cumprimento das normas.

Exemplos de procedimentos clínicos melhorados e que contribuíram para os resultados foram, para a prevenção da pneumonia associada à intubação, garantir a elevação da cabeceira da cama a 30º para minimizar o refluxo gástrico e a monitorização e ajustes regulares da pressão do cuff do tubo endotraqueal. Para a redução de infeção associada a CVC, o aumento do tamanho do campo esterilizado cobrindo a totalidade do corpo do doente no momento da inserção, foi, entre outras , uma medida  implementada que contribuiu para os resultados.

O objetivo das intervenções propostas neste programa, não se esgota com os procedimentos no âmbito da redução da infeção, mas promove concomitantemente a melhoria da qualidade dos cuidados e a cultura de segurança. Neste contexto foram implementadas medidas de melhoria referentes à atuação da Equipa Multidisciplinar e Parceria com Paciente, como a protocolização da visita clinica, das visitas multidisciplinares e briefings de segurança.

Ortopedia (Prótese total da Anca/Prótese total do joelho)

Antes de ser criado o projeto STOP Infeção_CHSJ, o Serviço de Ortopedia do CHSJ já seguia um conjunto de normas de combate à infeção integradas no programa “Rapid Recovery” (da responsabilidade do Ortopedista Paulo Oliveira, no CHSJ) cujo objetivo era, entre outros, otimizar o tempo de internamento dos utentes, procurando minimizar todos os riscos que possam aumentar a permanência dos utentes no Hospital. Neste âmbito, os utentes são convocados para uma reunião cerca de um mês antes da cirurgia de forma a envolve-los e os seus familiares ou cuidadores no processo, tendo tempo para esclarecer todas as dúvidas existentes e conseguir uma maior colaboração de todos.

Num primeiro momento, o desafio da equipa envolvida no projeto foi perceber qual era a taxa de infeção associada a este procedimento clínico de forma a “saber quem era o inimigo contra o qual iríamos combater”, afirma Ricardo São Simão, médico do Serviço de Ortopedia do CHSJ.

Todo o serviço foi envolvido nesta missão, através da sensibilização das equipas, nas reuniões de serviço que vão acontecendo frequentemente.

De maneira a aumentar a concorrência saudável entre os vários colaboradores, foi criada uma competição durante o campeonato europeu de futebol 2016, de maneira a apurar quem seriam os profissionais de saúde mais cumpridores das normas impostas pela DGS (realização de dois banhos, alta a tempo e horas, temperatura intra-operatória, terapêutica antibiótica profilática adequada, controlo das glicemias pré e pós-operatórias, entre outras medidas).

Com a colaboração dos técnicos de Informática do CHSJ, os programas de registo do cumprimento das normas passaram a ser mais amigos do utilizador, possibilitando um maior controlo da implementação das normas, tais como controlo das glicemias pré e pós-operatórias, bem como dos horários de administração da terapêutica antibiótica.

As equipas do bloco operatório central, que desempenham um papel muito importante deste processo, foram sensibilizadas para este projeto, estando alerta para o correto cumprimento e registo das normas exigidas em contexto cirúrgico.

Algumas semanas após a implementação destas medidas, os primeiros efeitos fizeram-se sentir tendo baixado consideravelmente a taxa de infeções relacionadas com os procedimentos clínicos realizados, ainda no período de permanência no Hospital, tendo, também, permitido diferenciar estas infeções daquelas que os utentes contraem no pós-operatório, no período de recuperação, já nas suas casas.

De acordo com Ricardo São Simão, o próximo passo será replicar estas práticas a todas as intervenções clínicas realizadas no Serviço de Ortopedia.

“O sucesso deste projeto deve-se ao envolvimento e dedicação inegável de todo Serviço de Ortopedia. A amizade, companheirismo e profissionalismo refletiu-se na coesão do contributo de todas as partes envolvidas que culminou em bons resultados”, remata o clínico.

Enfermeira marlene teixeira 1 1024 2500
Documentos de registo associados ao projeto 1 1024 2500
Dr francisco monteiro 1 1024 2500
Auxiliares devidamente equipados 1 1024 2500
Higiene das m os 1 1024 2500
Higiene das m os  nas  reas de cuidados intensivos 1 1024 2500
Inclina  o correta das camas no servi o de medicina intensiva 1 1024 2500
Informa  o afixada nos servi os 1 1024 2500
Normas da dgs em cumprimento 1 1024 2500
Colaboradores cumprem as normas estebelecidas 1 1024 2500
Uso de luvas 1 1024 2500
Todas as normas da dgs t m sido criteriosamente cumpridas 1 1024 2500