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Como melhorar o diagnóstico microbiológico da infeção?

27 de Novembro de 2017
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Foi esta a pergunta de partida da 3ª Sessão das Conferências São João que contou com a alocução de Melo Cristino, Professor Catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), diretor do Serviço de Patologia Clínica do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN). 

Figura ímpar em Portugal no universo da Patologia Clínica, Melo Cristino tem coordenado diversos estudos sobre a caracterização de estirpes e suscetibilidades dos microrganismos mais relevantes no nosso país, pelo que detém uma extensa experiência acumulada da realidade portuguesa. Foi moderador desta mesa o Professor Tiago Guimarães, diretor do Centro de Medicina Laboratorial do CHSJ e Professor da Faculdade de Medicina do Porto.

A mensagem do clínico do CHLN dirigiu-se a profissionais de saúde, não forçosamente da área da Microbiologia e centrou o seu discurso na necessidade dos laboratórios produzirem informação relevante, clara e em tempo útil. O papel básico do Microbiologista é, nas palavras de Melo Cristino, “procurar fazer uma identificação correta dos microrganismos causadores de doença de maneira a fomentar o uso dos antibióticos adequados”.

Melo Cristino defende uma “Microbiologia arriscada, clinicamente interpretativa, mais rápida, menos cara e mais eficaz”.
O especialista recomenda a concentração de esforços nos produtos biológicos capazes de originar informação relevante (boas amostras), em detrimento daquelas que possam apenas “produzir ruído.” O médico citou Raymond Bartlett, grande nome da Microbiologia mundial: “O número de agentes microbianos numa amostra biológica é inversamente proporcional ao interesse clínico desse resultado”.

O processo de realização de um estudo microbiológico é composto por três fases que vão desde o pedido do médico e colheita da amostra (fase pré-analítica) até à interpretação dos resultados (fase pós-analítica), passando pela própria execução técnica da análise dentro do laboratório (fase analítica). “As duas primeiras revestem-se de um papel fundamental para a correta orientação da estratégia antibiótica”, reforçou o clínico.

Melo Cristino salientou a necessidade de tirar partido das inovações tecnológicas que permitem o diagnóstico microbiológico mais rápido maximizando e adaptando os processos de trabalho do laboratório de forma a não perder os ganhos de tempo obtidos e que se podem traduzir em significativo benefício para o doente. Reforçou também a necessidade de promover a comunicação entre Microbiologistas e Clínicos, nomeadamente interagindo com os membros das equipas de apoio à prescrição de antimicrobianos, como forma de implementar as melhores estratégias de terapêutica antibiótica adaptada a cada doente e ao seu contexto.

Sessão decorreu na Aula Magna da FMUP