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Cafeína pode diminuir mortalidade em mulheres com diabetes

06 de Dezembro de 2017
Investigacao chsj site  1  1 1024 550

Médicos endocrinologistas do Centro Hospitalar São João (CHSJ) participaram num estudo apresentado no Congresso Europeu de Diabetes que sugere que o consumo de cafeína pode diminuir o risco de mortalidade em mulheres com diabetes.

No estudo realizado por vários investigadores portugueses, foi avaliada a associação entre o consumo de cafeína e a mortalidade em mais de 3000 homens e mulheres com diabetes, utilizando os dados de uma amostra representativa da população americana (National Examination Survey), recolhidos entre 1999 e 2010.

“A investigação concluiu que as mulheres com diabetes que consomem até 100mg por dia (cerca de uma chávena de café) registam uma redução de 51% no risco de mortalidade comparativamente às mulheres que não consomem cafeína, as mulheres com diabetes que consomem entre 100 a 200 mg por dia (2 a 3 chávenas de café) têm um risco de mortalidade 57% inferior às que não consomem e, para as que consomem mais de 200 mg por dia (mais de 3-4 chávenas de café), o risco é 66% menor”, explica João Sérgio Neves, médico interno de Endocrinologia no CHSJ.

Ainda de acordo com João Sérgio Neves, “O efeito protetor da cafeína parece depender da sua origem, na medida em que os níveis mais elevados de consumo da cafeína do café associaram-se a um menor risco de mortalidade por todas as causas, bem como uma redução de mortalidade por doença cardiovascular. Por outro lado, as mulheres que consomem mais cafeína do chá tinham menor risco de mortalidade por cancro.

O consumo de cafeína com origem em refrigerantes não se associou á redução da mortalidade em indevidos com diabetes. Não foi encontrada nenhuma associação entre o consumo de cafeína e a mortalidade em homens com diabetes.”

“Este estudo português sugere um efeito protetor dose-dependente do consumo de cafeína na mortalidade por todas as causas, nas mulheres com diabetes. Este efeito parece ser dependente da fonte de cafeína. Porém, dados os resultados apresentados terem sido obtidos num estudo observacional, a sua confirmação carece de estudos prospetivos idealmente randomizados que corroborem esta associação”, esclarece Davide Carvalho, diretor do Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo do CHSJ.