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Evolução da tecnologia evita cirurgia para substituir bateria de neuroestimulador prolongando-lhe a vida útil

10 de Janeiro de 2018
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Em virtude da evolução da tecnologia foi aumentado, pela primeira vez a nível nacional, o tempo de vida da bateria que alimenta um neuroestimulador cerebral, em utentes com distonia, evitando uma nova intervenção cirúrgica.

Trata-se da técnica de Estimulação Cerebral Profunda (colocação de um dispositivo no cérebro que envia impulsos elétricos a determinada parte do encéfalo, levando pessoas portadores de terminados doenças neurológicas a ter uma vida normal). Esta técnica foi introduzida em Portugal pelos serviços de Neurocirurgia e Neurologia do CHSJ, em 2002 na doença de Parkinson e em 2009, na distonia mantendo-se, pois, esta instituição na vanguarda desta técnica cirúrgica.

Dotado de uma bateria com autonomia de cerca de nove anos, este dispositivo teria de ser substituído, levando a uma nova cirurgia. No entanto, já é possível reprogramar a bateria do dispositivo sem ter de recorrer à intervenção cirúrgica de substituição, bastando encostar sensor ao corpo do utente de maneira a ativar o software.

A distonia manifesta-se através de movimentos involuntários, em que o corpo parece ganhar vida própria descoordenada. “Após esta cirurgia, os utentes que receberam um implante cerebral de estimulação profunda, reganharam controlo sobre o corpo. O aparelho, o mesmo usado em doentes com Parkinson, é alimentado por uma bateria colocada no peito, recarregável como se fosse um telemóvel”, contou Rui Vaz, diretor do Serviço de Neurocirurgia do CHSJ. A bateria estava a chegar ao fim da vida útil: o fabricante só garantia nove anos de funcionamento.

Sem este procedimento, teria sido necessária uma outra cirurgia para substituir a bateria, com os inerentes riscos, nomeadamente, de infeção, apontou Rui Vaz. "A tecnologia tem de evoluir a par da medicina. Esperemos que, dentro de seis anos, seja possível prolongar ainda mais a duração desta bateria e que, entretanto, os neuroestimuladores se tornem mais eficientes, capazes de dar resposta às necessidades de cada um dos doentes.”

Há três anos, o mesmo aparelho foi também implantado para tratar uma utente com perturbação obsessiva compulsiva, com resultado positivo. "Houve uma melhoria no controlo das compulsões", explicou Rui Vaz. Tal como no Parkinson ou na distonia, também na perturbação obsessivo compulsiva não se cura a doença, mas "melhora-se a qualidade de vida".