Passar para o Conteúdo Principal Top
Logotipo Centro Hospitalar São João

São João pioneiro nacional na implementação do rastreio de Atrésia Biliar para promover tratamento cirúrgico precoce e evitar transplante hepático

04 de Setembro de 2018
Atresiabiliar site 1 1024 550

O Serviço de Pediatria do Centro Hospitalar São João (CHSJ) foi pioneiro, em termos nacionais, a implementar um projeto de rastreio de Atrésia Biliar.

Através da criação de um cartão para todos os recém-nascidos deste hospital, os pais conseguem identificar, nas primeiras semanas de vida, a presença de fezes acólicas, através da cor.

Mediante o resultado, poderá ser necessária a observação urgente por um médico, podendo conduzir ao tratamento corretivo cirúrgico e diminuir a probabilidade de vir a ser necessário transplante hepático.

De acordo com Ana Reis Melo, interna de Pediatria do CHSJ, “o projeto consiste na distribuição de um cartão a todos os recém-nascidos deste hospital. Esse cartão é anexado nos Boletins de Saúde Infantil e Juvenil e permite o diagnóstico precoce de Atrésia das vias biliares e, por isso, promover um melhor prognóstico.“

“Existem projetos semelhantes em países como Japão, Taiwan, Suíça, EUA, Brasil e Canadá mas em Portugal, o primeiro hospital a implementar este projeto é o CHSJ. Sendo esta uma doença com tratamento corretivo cirúrgico obrigatório e sem forma de prevenção, o diagnóstico precoce é a melhor defesa contra esta patologia”, acrescenta a Pediatra.

“No Japão, este projeto permitiu reduzir a idade da cirurgia e em Taiwan possibilitou o aumento da proporção de cirurgia antes dos 60 dias de idade do recém-nascido. Pretende-se da mesma forma oferecer às crianças nascidas no CHSJ uma oportunidade de rastreio precoce com implicação no prognóstico e qualidade de vida dos utentes com Atrésia das Vias Biliares”, revela Ana Reis Melo.

“A Atrésia Vias Biliares ocorre em cada 1 em 10000 – 15000 nados vivos e corresponde a uma anomalia anatómica ou entupimento dos ductos (vias) biliares. Clinicamente, os sintomas são icterícia/hiperbilirrubinemia (pele e olhos amarelados) com aumento da bilirrubina direta e fezes acólicas (fezes claras/esbranquiçadas). Se o fluxo biliar não for estabelecido no 1º mês de vida ocorre obliteração progressiva dos ductos e cirrose, com necessidade de transplante hepático”, explica a clínica.

O projeto foi desenvolvido por Jorge Amil, gastrenterologista pediátrico, Goreti Silva, neonatologista e Ana Reis Melo, interna de Pediatria do CHSJ.