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O “Lobo Mau no Hospital” apresentado na Feira do Livro do Porto

18 de Setembro de 2018
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Decorreu no dia 17 de setembro mais uma apresentação ao público do livro “O Lobo Mau no Hospital”, textos de Augusto Baptista, desenhos de ZLDarocha e design de João Bicker, no âmbito da Feira do Livro do Porto, no espaço da Biblioteca Almeida Garrett. 
 
Esta obra, que desconstrói o universo da Capuchinho Vermelho, readaptando-a ao universo hospitalar dos mais novos, é vista como um pequeno contributo na busca por algo maior e tangível.
 
Durante este evento, que foi apresentado pelo Jornalista Júlio Roldão, intervieram o autor do livro, Augusto Batista (cuja intervenção se disponibiliza na íntegra, para conhecimento), o Presidente da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto (AJHLP), Francisco Duarte Mangas, a Diretora do Centro Pediátrico do Centro Hospitalar de São João (CHSJ), Maria João Batista e o Presidente do Conselho de Administração do CHSJ, António Oliveira e Silva.
 
 O autor proferiu as seguintes palavras à assistência:
 
"Meus amigos:
 
A todos saúdo com amizade e agradeço a presença nesta sessão.
“O Lobo Mau no Hospital”, obra aqui apresentada por Júlio Roldão e que muito agradeço, foi escrita por mim, ilustrada por Luiz Darocha, paginada por João Bicker, em 2012. O texto, a dedicatória, os desenhos, a solução gráfica têm essa datação genesial. Tal qual a disponibilidade para editar o livro, por parte da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, presidida por Francisco Duarte Mangas.
De 2012 em diante, a edição caiu num impasse, rompido em 2016, após o Senhor Doutor António Oliveira e Silva ter assumido a Presidência do Conselho de Administração do Hospital São João. 
Nesse ano, os autores reiteraram a doação da obra ao Hospital – como contributo poético para a projectada construção da sua ala pediátrica renovada. Também nesse ano, acontecimento que muito me abalou e abala, falece em Paris o meu querido amigo Luiz Darocha. E o livro, publicado com chancela da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto em 2017, é finalmente lançado em Julho 2018 na FNAC do Norteshoping. Desse acto guardo e sublinho a surpreendente leitura encenada da história, pela companhia de teatro “A Escola da Noite”, dirigida por António Augusto Barros.
E entre tantos acontecimentos, inalterado neste transcurso temporal: o bloqueio da ansiada construção de uma ala pediátrica renovada.
No contexto ficcional, na história, a ala pediátrica que acolhe o Lobo – levado pela mão do Capuchinho Vermelho para ser consultado de urgência pelo Joãozinho – ala luminosa, saudável, serviços integrados – , já em 2012 estabelecia contraste com a realidade. O preto e branco da vida face ao colorido da ficção.
De 2012 para cá, mais seis anos de agonia, a situação agravou-se, atingiu o ponto de ruptura, como do facto tem dado eco a comunicação social. Agravou-se a ponto de, em 2018, unir no mesmo unânime clamor pelo rápido início das obras, a Assembleia da República, em Maio, a Câmara Municipal do Porto, em Julho.
Apesar destas tomadas de posição, nada mudou: a indecisão eterniza-se.
Às vozes institucionais, junta-se agora a vontade expressa no abaixo-assinado “Pelo Joãozinho!” a reclamar do governo “as acções necessárias ao desbloqueamento do processo e ao imediato início das obras, em favor do supremo e inadiável valor: as crianças, a saúde das crianças do Porto, da Região, do País.”
Mas estamos aqui reunidos em redor de uma história, um livro. Um livro imbuído das inquietações que hoje nos afligem. Um livro para crianças e gente crescida, um livro no limbo da ficção e da realidade, um livro que contribui para difundir o clamor por uma ala pediátrica renovada, um livro que propõe “Alegria sempre a rodos / Leite e pão para trincar/ E saúde para todos!” Saúde para todos, na história e na vida.
Chegados aqui, como não reflectir no poder dos livros. “A obra maior da Humanidade”, “uma luz perene contra o obscurantismo”, como deles disse Federico Garcia Lorca.
“Muitas vezes um povo – diz Lorca na Alocução ao Povo de Fuentevaqueros, sua aldeia natal – muitas vezes um povo dorme como água de um tanque em dia sem vento e um livro ou alguns livros podem fazê-lo estremecer e inquietar-se e ensinar-lhe novos horizontes de superação e concórdia.”
E neste estremecimento, o estremecimento que o livro, que este “Lobo Mau” a seu modo concita, abracei a causa serena e lúcida do abaixo-assinado Pelo Joãozinho!, com figuras referenciais à cabeça, personalidades insignes: o Arquitecto Álvaro Siza Vieira, a Cientista Maria de Sousa, o Médico Manuel Sobrinho Simões.
Foi na indignação pelo arrastar de uma situação agónica que integrei esta boa onda Pelo Joãozinho!. E, com tantos outros, chão nesta cidade, o abaixo-assinado abre-se à Região, ao País. Chegam adesões, assinaturas, manifestações de apoio de muitos lados: personalidades de todo o espectro politico, trabalhadores, reformados, estudantes, médicos, serralheiros, artistas, escritores, nomes ilustres. Da União das Juntas de Freguesia do Centro Histórico, a livrarias, cafés, papelarias, associações... A rua, numa onda que cresce, a rua está com o Joãozinho.
E todos, enfim, unidos por uma causa: a construção da nova ala pediátrica com dinheiros públicos, como é vontade das nossas instituições, das nossas estruturas democráticas, do nosso Parlamento, da nossa Câmara Municipal, das nossas vozes claras, do nosso querer conjunto.
Muitos são os anos em que perdura esta agonia de contentores, de padecimento e aflições, de crianças, pais, profissionais de Saúde. Muito é o tempo de preocupação e sobressalto da comunidade. É hora de decisão governativa, hora de avanço das máquinas, cimento, trabalho, é hora de começarem as obras.
Deste modo, a história terá um final feliz, como no livro, e todos ficaremos reconciliados. Se outro for o caminho, vale a pena lembrar: seria um sério golpe no SNS – nenhum outro hospital, maternidade, unidade de saúde materno-infantil, reúne a Norte as valências e competências pediátricas do Hospital São João. Se outro for o caminho, vale a pena lembrar: na vida, em especial na vida democrática, amor com amor se paga.
Mas estamos aqui para falar de um livro: Era uma vez um Lobo..."
 
Apresentação do livro O_Lobo_Mau_no_Hospital apresentado na Biblioteca Almeida Garrett-Porto