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Dispositivo de assistência biventricular colocado numa criança pela primeira vez no Norte

15 de Maio de 2019
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Pela primeira vez, o Centro Hospitalar Universitário São João (CHUSJ) colocou numa criança, um dispositivo especial, de assistência cardíaca. Trata-se de um género de coração artificial parcial que permite aguardar pelo transplante.

“A operação durou cerca de seis horas e consiste em implantar quatro cânulas. Duas delas de entrada na artéria aorta e na artéria pulmonar e as duas outras de saída nas aurículas direitas e esquerda respetivamente. De seguida, as cânulas foram ligadas a duas bombas externas para-corporais, alimentadas por um sistema pneumático e funcionam como se fosse um coração parcial artificial”, explica Jorge Casanova, cirurgião responsável por esta intervenção.

“Após a cirurgia, o utente foi transferido para os cuidados intensivos pediátricos, onde se pretende, para além de prevenir as várias complicações associadas a esta técnica, retirar o ventilador e iniciar reabilitação, na tentativa de lhe dar alguma autonomia e otimizar ao máximo a sua recuperação, até que um transplante seja possível”, afirma Augusto Ribeiro, diretor do Serviço de Medicina Intensiva Pediátrica.

Esta técnica permite aumentar a sobrevida de quem aguarda por um transplante cardíaco. No caso das crianças, a espera é mais longa.

“Nos últimos anos, com a diminuição dos acidentes de viação e de trabalho, o número de dadores tem decrescido e por isso, a implementação destes programas de assistência biventricular tem tido uma prevalência cada vez maior”, acrescenta o cirurgião.

De acordo com Jorge Casanova, “o sucesso desta implantação dependeu muito do profissionalismo e competência de uma equipa que trabalha longe dos holofotes, nomeadamente dos Serviços de Imunohemoterapia, com o apoio imprescindível no âmbito da Medicina Transfusional, do Serviço de Cardiologia Pediátrica, na avaliação diária do utente, dos perfusionistas na vigilância do aparelho e dos profissionais de enfermagem cujos cuidados de excelência têm garantido uma adequada cicatrização das feridas cirúrgicas e a manutenção do utente e aparelho livres de infeções.”