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Boas práticas do CHUSJ no controlo do VIH

13 de Janeiro de 2022
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Nos anos de 2020 e 2021, existiram dificuldades no processo de monitorização nacional relativos à evolução do VIH, devido ao combate à pandemia. No entanto, o Centro Hospitalar Universitário São João (CHUSJ) desenvolveu, de forma inovadora, um processo de monitorização através do Serviço de Inteligência de Dados, que permitiu às equipas de saúde e de gestão continuarem a acompanhar com rigor o estado de saúde dos seus utentes, através da monitorização da adesão às consultas e aos tratamentos, bem como ao sucesso clínico das intervenções. Esta ferramenta garante, ainda, que todos os utentes obtenham resposta terapêutica atempada.

 Com mais de 2.500 doentes seguidos nas consultas, das quais 33 crianças, o Serviço de Doenças Infeciosas do CHUSJ já conseguiu assegurar o cumprimento das metas da ONU para o combate ao VIH, previstas para 2030, com mais 95% de pessoas tratadas, dos quais 95% estão suprimidos em termos de carga viral (o que tem um impacto extraordinário na redução do potencial de transmissão, medida importante a nível pessoal, mas também de saúde pública).

 "Durante o período pandémico, o acompanhamento destas pessoas nunca foi interrompido, tendo mesmo o serviço aumentado a sua atividade clínica desde então", explica António Sarmento, diretor do Serviço de Doenças Infeciosas. O objetivo de não deixar ninguém para trás, apesar da COVID, nomeadamente a população mais vulnerável, foi conseguido.

 Ainda no sentido de combater a disseminação do vírus na comunidade, as equipas de saúde do CHUSJ deslocam-se, desde há uns anos, a vários estabelecimentos prisionais, para tratar pessoas com o VIH e com Hepatites B e C. Estes projetos permitiram o tratamento dos membros infetados desta população, o que contribuiu decisivamente para uma forte redução e controlo da disseminação destes vírus, nestes locais. "No último ano, foram realizadas um total de 324 consultas nos estabelecimentos prisionais, sendo que 97 foram primeiras consultas. Neste momento, todos os reclusos identificados com VIH encontram-se a realizar terapêutica antirretrovírica (TARc) e cerca de 94% está com carga vírica do VIH não detetada. Dos doentes com coinfeção pelo Vírus da Hepatite C, 7 (64%) já fizeram tratamento, 1 (9%) está atualmente em tratamento e 3 (27%) estão numa fase de estudo para caracterização da Hepatite C e início de tratamento, assim que possível", explica Rosário Serrão, médica do Serviço de Doenças Infeciosas do CHUSJ.

Para além destes projetos, há alguns anos, o Serviço iniciou a disponibilização da profilaxia pré-exposição (PrEP) e já conta com mais de 300 pessoas em seguimento. Ainda com o objetivo de prevenir e reduzir o risco de contrair infeção pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH), o CHUSJ em parceria com a Associação Abraço criou uma consulta descentralizada de Prep. Esta consulta está disponível a partir de novembro no centro comunitário de rastreio da Abraço, no Porto, e conta com a presença de um médico infeciologista e um enfermeiro do CHUSJ, assegurando a realização descentralizada de exames auxiliares de diagnóstico e a cedência de medicação de uso exclusivo hospitalar, de forma próxima, aumentando o acesso aos cuidados de saúde.

Nas palavras de Pedro Soares, diretor dos serviços farmacêuticos do CHUSJ, "é um privilégio podermos integrar a equipa que apoia a população de risco no processo da PrEP, sempre sensibilizando para a necessidade de se protegerem a si e aos outros e, nesta vertente em particular, de seguirem escrupulosamente o regime terapêutico indicado, por forma a impedirem a disseminação da infeção. Esta abordagem farmacológica constitui-se como uma importante medida de saúde pública."