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Projeto CAI_Vent dá nova vida a doentes respiratórios crónicos

16 de Janeiro de 2020
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Decorreu, esta manhã, 16 de janeiro de 2020, na Aula Magna da Faculdade de Medicina da U. Porto, a apresentação do projeto CAI_Vent, dedicado à melhoria da qualidade de vida dos doentes respiratórios crónicos dependentes de ventilação mecânica prolongada, desenvolvido pelo Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ) e pelos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) Porto Oriental e Maia/Valongo, com o apoio das Associações Representativas de Doentes com Insuficiência Respiratória Crónica RESPIRA, APELA e APN.

Este projeto, que está enquadrado no Programa de Incentivo à Integração de Cuidados e à Valorização dos Percursos dos utentes no Serviço Nacional de Saúde (SNS), designa-se como Centro de Apoio Integrado ao doente com sob Ventilação Mecânica prolongada (CAI_Vent) e iniciou a fase piloto em 2018.

O caráter simbólico e emblemático deste projeto para o SNS na medida em que traduz a perfeita simbiose entre os ACES, os hospitais, as associações de doentes e os parceiros tecnológicos em prol da melhoria dos cuidados prestados aos utentes e famílias foi sublinhado nos discursos dos diferentes palestrantes no evento (Carlos Nunes, Presidente da ARS-Norte, Fernando Araújo, Presidente do Conselho de Administração do CHUSJ, Maria João Baptista, diretora clínica do CHUSJ, Dulce Pinto e Fernando Filgueiras diretores dos ACES de Porto Oriental e Maia/Valongo e Francisco Cruz, Vice-diretor da Faculdade de Medina da U. Porto).

“Geralmente não se tem noção do impacto da doença respiratória crónica grave, que exige assistência ventilatória mecânica prolongada. Estas pessoas, sem este apoio, morrem. E sem ajuda acabam por se isolar, desenvolvendo quadros depressivos e ansiosos que em nada contribuem para a sua qualidade de vida, além de a patologia base progredir mais rapidamente”, afirmaram Teresa Honrado (médica) e Miguel Gonçalves (fisioterapeuta), responsáveis pelo programa.

O CAI_VENT propõe uma melhoria dos cuidados destes doentes, baseado na integração dos cuidados hospitalares e cuidados de saúde primários, numa melhor articulação com as empresas de cuidados respiratórios domiciliários na articulação com instituições da comunidade, com o objetivo partilhado de promover os melhores cuidados de saúde no domicílio desta população de doentes. Apresenta resultados eficazes na melhoria da sua autonomia, qualidade de vida e diminuição do recurso aos serviços hospitalares, nomeadamente recurso ao serviço de urgência ou internamentos.

O programa, centrado no doente, com uma visão integradora e inovadora, assegura a continuidade de cuidados, baseando-se na partilha de informação clinica entre as várias equipas de saúde envolvidas, efetuando visitas domiciliarias partilhadas regulares, disponibilizando uma linha telefónica de apoio gratuita 24 h/dia aos doentes e cuidadores e monitorizando o estado clinico dos doentes através de uma central de telemonitorização.

O Programa Cai_Vent tem como objetivos específicos promover a alternativa assistencial resolutiva e qualificada no domicílio; evitar hospitalizações desnecessárias, otimizando a utilização dos recursos; reduzir o risco de infeções hospitalares; reduzir as taxas de re-internamentos; formação/apoio ao doentes/famílias e profissionais de saúde dos diferentes parceiros; promover progressivamente a integração na comunidade e a autonomia do doente e da família; e fazer parcerias sociais de apoio ao paciente e seus cuidadores, promovendo a inserção na vida ativa e comunidade.

“Está a aumentar o número de pessoas que sobrevivem a episódios que motivam a necessidade de ventilação mecânica prolongada e se não forem acompanhados devidamente acabam por desenvolver infeções respiratórias frequentes, aumentando as idas à urgência e internamentos hospitalares, com os elevados custos associados aos cuidados de saúde”, referiram os responsáveis.

Neste primeiro ano de implementação do programa (fase piloto) já se obteve uma redução bastante significativa do número de episódios de urgência e de dias de internamento hospitalar dos doentes incluídos no programa.