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Rastreio visual para crianças com menos de dois anos procura sensibilizar pais para patologias precoces

26 de Junho de 2013
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O Serviço de Oftalmologia do Centro Hospitalar de São João promoveu, recentemente, na sala FNAC Kids do Serviço de Pediatria do Hospital, um rastreio destinado a crianças com menos de dois anos de idade. A iniciativa dedicou-se a este público por se tratar de uma fase crucial para a deteção e correção de patologias que se podem revelar graves, posteriormente.

“As pessoas não vêm com os olhos, mas sim com a interpretação cerebral de estímulos físicos de luz captados pelos olhos e enviados para o cérebro. Ora isto aprende-se nos primeiros meses de vida, e para isso os neurónios têm que ser estimulados com imagens nítidas. É como um surdo-mudo: como não ouve também não aprende a falar. Se um olho tiver uma alteração esta deve ser tratada nos primeiros tempos de vida para que possa haver estimulação cerebral durante o chamado período crítico de desenvolvimento do córtex visual que culmina por volta dos quatro anos. Portanto se houver patologia deve ser diagnosticada antes dos dois para depois tratar e estimular até aos quatro. Daí o rastreio ser imprescindível, bem como a sensibilização os pais das crianças”, explica Jorge Breda, Oftalmologista pediátrico do CH São João.

Nesta faixa etária, as patologias mais frequentes são os erros refrativos (miopia, hipermetropia, astigmatismo), estrabismo e opacidades dos meios transparentes (como por exemplo as cataratas congénitas).

As numerosas crianças que compareceram no rastreio tinham idades compreendidas entre os 12 e 24 meses e 10% dos utentes de palmo e meio registaram erros refrativos graves e a mesma percentagem apenas levantou suspeitas de ser portadora desta patologia. Todas as crianças com suspeitas ou diagnóstico concreto de patologia foram chamadas como supranumerários à consulta de oftalmologia pediátrica e serão tratados no Centro Hospitalar de São João. 
Nas palavras de Jorge Breda, os rastreios nesta idade “são muito importantes porque ninguém nota que a criança vê mal. Quando esta se queixa ou quando responde aos testes do centro de saúde já é tarde porque já tem mais de quatro anos e já passou o período de desenvolvimento da visão.”

O Oftalmologista reforça: “O rastreio precoce antes dos dois anos de idade é essencial para tratamento precoce também. A sensibilização dos pais para a sua responsabilidade é muito importante”.

O Centro Hospitalar de São João tem já tradição de pioneirismo nesta matéria, tendo sido “o nosso Hospital que há 50 anos criou uma consulta especial de estrabismo e ainda fundou a primeira escola para formação de especialistas em reeducação ortóptica, atualmente transferida para Lisboa”, sublinha Jorge Breda.