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Semana do Antibiótico 2019

18 a 24 de Novembro de 2019
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A resistência aos antibióticos é atualmente uma ameaça à segurança dos doentes em todas as áreas dos cuidados de saúde e em todos os continentes.
Nesta Semana do Antibiótico relembramos a importância do papel que todos os profissionais têm na luta contra este grave problema de saúde pública. Neste momento, um dos problemas com maior impacto reside no aumento das estirpes de bactérias Gram negativo resistentes a carbapenemos, particularmente nas Enterobacterales como a Klebsiella pneumoniae.

Invariavelmente, estas estirpes são multirresistentes, incluindo a antibióticos de última linha. Por este motivo, o tratamento de infeções por estas bactérias é difícil. Com opções terapêuticas escassas, há necessidade de recorrer a fármacos mais tóxicos e nem sempre tão eficazes, acarretando uma maior taxa de falência ao tratamento e maior mortalidade associada. A impossibilidade de tratar de forma adequada as complicações associadas aos avanços da medicina moderna é um entrave importante ao contínuo avanço na melhoria dos cuidados de saúde.

É, por isso, imperiosa uma ação concertada no sentido de limitar a emergência e disseminação deste tipo de microrganismos resistentes. Apenas pela conjugação de intervenções de prevenção e controlo de infeção limitando a transmissão, associadas à redução da pressão antibiótica que conduz à sua emergência, poderemos conter e reduzir a expressão desta ameaça, para que possamos continuar a progredir na qualidade dos cuidados médicos das mais diversas áreas.

klebesiella pneumoniae - % R carbapenemos

De acordo com o último relatório dos ECDC publicado esta semana, a proporção de estirpes de Klebsiella pneumoniae resistentes a carbapenemos em Portugal tem vindo a crescer exponencialmente, quintuplicando nos últimos 5 anos. No ano passado, 11,7% das estirpes isoladas em amostras invasivas em Portugal apresentavam resistência a carbapenemos. Estes números traduzem uma realidade preocupante que urge contrariar.

No entanto, o contexto epidemiológico de Portugal não é homogéneo. De facto, no CHUSJ a percentagem de Klebsiella pneumoniae resistente a carbapenemos tem-se mantido estável e com valores significativamente menores (inferiores a 5%). Podemos comprovar que a implementação na nossa instituição das medidas recomendadas pela maioria das entidades (incluindo o ECDC), nomeadamente com a identificação rápida de portadores e doentes, implementação de medidas de controlo e prevenção de transmissão e uso prudente de antibióticos (assente em programas de apoio à prescrição) permitiu até à data a contenção desta ameaça. Estes resultados são reflexo do esforço contínuo da comunidade hospitalar que importa destacar e parabenizar.

Pela segurança dos doentes e pela preservação da eficácia dos antibióticos continuaremos todos a trabalhar diariamente!