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Qualife+ quer sensibilizar para o risco de desnutrição dos idosos

06 de Maio de 2016
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De acordo com os primeiros resultados do rastreio de desnutrição realizado no Centro Hospitalar de São João (CHSJ) e na sua zona de referenciação, entre novembro de 2015 e março de 2016, perto de metade dos idosos internados estão em risco de desnutrição e na comunidade em questão cerca de 10% dos idosos estão na mesma situação.

O rastreio realizou-se no âmbito do projeto QuaLife+, que nasceu com o objetivo de monitorizar o estado nutricional da população com mais de 65 anos, quer no internamento do CHSJ quer na comunidade das áreas de referenciação do mesmo.

A partir da candidatura do CHSJ ao mecanismo financiado pela Noruega, Islândia e Liechtenstein através dos EEA Grants, surgiu uma parceria do São João com o ACeS Porto Oriental e o ACeS Santo Tirso/Trofa.

Na comunidade, pretende-se avaliar o risco nutricional de uma amostra representativa da população idosa das áreas de influência. Assim, foi definida uma amostra aleatória de cerca de 1500 utentes em cada um dos ACES parceiros. No hospital, o objetivo é avaliar todos os doentes internados com mais de 65 anos.

“O QuaLife+ possibilitou equipar todo o hospital com diferentes tipos de balanças mais adequados à prática hospitalar e a todas as condições clínicas (por exemplo doentes acamados ou em cadeira de rodas) e que permitirão a todos os profissionais de saúde poder facilmente recolher indicadores importantes do estado nutricional dos doentes na admissão e durante o internamento, incluindo a estatura, o peso e a composição corporal”, explica Sandra Silva, Coordenadora da Unidade de Nutrição e Dietética do CHSJ e gestora do projeto.

“Este projeto, de cariz multidisciplinar, envolve outros profissionais para além dos nutricionistas, em concreto, os enfermeiros na avaliação do risco e os médicos na discussão das medidas a implementar, permitindo uma maior sensibilização e alerta para a fragilidade desta população”, acrescenta a profissional.

Os dados resultantes do rastreio da avaliação do estado nutricional, bem como a tipologia de intervenção nutricional permitirão, uma adequada monitorização do projeto.

Este financiamento tornou, ainda, possível a implementação da rede wireless em todo o hospital, sendo esta uma ferramenta facilitadora no acesso às plataformas clínicas existentes.

A nível comunitário, a estreita relação interinstitucional dos nutricionistas dos cuidados de saúde primários com os seus pares no hospital está a permitir definir estratégias de articulação dos cuidados dos utentes de forma integrada.

“Em abril 2017, os resultados gerais do projeto serão conhecidos, no entanto, desde que se iniciou o rastreio, em Novembro de 2015 até março de 2016, 4000 idosos foram submetidos ao rastreio nutricional, dos quais cerca de metade se encontra em risco de desnutrição. Sabe-se que “a desnutrição leva a aumento da morbilidade, do tempo de internamento, de readmissões e da mortalidade” afirma Sandra Silva.

Recentemente, o projeto QuaLife+ foi apresentado publicamente no XVIII congresso da Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica e esteve representado pelas suas gestoras no Seminário com os Promotores dos EEA Grants: Programa Iniciativas em Saúde Pública, que teve lugar em Lisboa no dia 20 de abril.

 

Gráfico 1: resultado da avaliação do risco nutricional através do MNA-SF, no hospital, no período de outubro de 2015 a março de 2016 (n=4000 idosos internados).

Gráfico 2: estado da execução do rastreio no ACeS desde outubro de 2015 até março de 2016, relativamente à amostra definida (n=3037 idosos).

Gráfico 3: resultado da avaliação do risco nutricional através do MNA-SF nos ACeS, relativo aos utentes rastreados desde outubro de 2015 até março de 2016 (n=2224 idosos rastreados)