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Estudo do São João conclui que pandemia piorou saúde das pessoas com diabetes

26 de Novembro de 2020
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Um estudo do Serviço de Endocrinologia do Centro Hospitalar Universitário São João (CHUSJ) intitulado “COVID-19 e diabetes: impacto no recurso ao serviço de urgência. Realidade de um centro português” concluiu que a saúde dos diabéticos piorou na primeira vaga da pandemia de covid-19.

De acordo com Maria João Ferreira, médica interna de endocrinologia do CHUSJ, "entre março e junho chegaram a este Centro Hospitalar pessoas com complicações mais graves do que no período homólogo do ano passado. As pessoas com diabetes que deram entrada na urgência durante o confinamento tinham um quadro clínico mais grave do que seria de esperar mesmo não estando positivos para a Covid-19. "

"Comparando com os dados referentes ao ano passado percebe-se os casos de hipoglicemia e de diabetes mellitus descompensada em 2019 vs 2020 diminuíram (hipoglicemias 41,2% vs 33,1%, diabetes mellitus descompensada 25,5% vs 21,5%). Por outro lado, as complicações da diabetes e complicações graves da diabetes aumentaram (complicações da diabetes 25,5% vs 36,2%, e complicações graves 7,8% vs 9,2%). No diz respeito ao internamento 23,8% dos doentes foram internados em 2020 vs 18,6% em 2019, o que denota um aumento da necessidade de hospitalização. O número de diabéticos descompensados que procuram a urgência caiu 30% entre março e junho. O ano passado recebemos cerca de 200 pessoas e este ano 130, portanto é uma redução significativa, no entanto, cerca de 40% destas pessoas apresentavam complicações mais graves em comparação com cerca de 20% no ano passado", afirma a clínica.

Mesmo sem infeção por covid-19, Maria João Ferreira explica que "o risco de vida existe porque estamos a falar de pessoas com valores de glicemia muito altos podendo levar ao coma e de feridas de pé diabético graves que necessitam de antibiótico endovenoso e portanto de hospitalização."

Segundo Davide Carvalho, diretor do Serviço de endocrinologia do São João, "estes dados são preocupantes porque estas pessoas têm 6 vezes mais risco de hospitalização e 12 vezes maior risco de complicações graves e morte, comparativamente com os não daibéticos."